Propriedade
Industrial
Um ano e meio depois governo decide nome
Roberto Jaguaribe será o novo presidente do INPI
Fonte: Valor Econômico - 30/06/2004 - edicão nº
1042
Atual secretário de Tecnologia Industrial, Jaguaribe acumulará
funções Depois de um ano e meio sem um presidente
efetivo, o governo federal decidiu ontem que o Instituto Nacional
de Propriedade Industrial (INPI) será dirigido por Roberto
Jaguaribe. Ele é o atual secretário de Tecnologia
Industrial do Ministério do Desenvolvimento e vai acumular
os dois cargos. O anúncio foi feito após a primeira
reunião do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial,
realizada no Palácio do Planalto pelo ministro Luiz Fernando
Furlan.
Após a reunião, Jaguaribe disse que uma das principais
iniciativas à frente do INPI será transformar o instituto
em indutor da aproximação entre os centros de pesquisa
e o setor produtivo. "Uma das deficiências atuais do
INPI é que o órgão está desligado do
ambiente produtivo, de pesquisa e desenvolvimento", disse Jaguaribe.
"Então é preciso inseri-lo novamente nessa área
de uma maneira extremamente ativa e fazer da política de
propriedade industrial um instrumento importante da política
tecnológica e industrial."
Uma nova estrutura administrativa para o instituto está
sendo concluída e deverá ser divulgada nos próximos
dias, provavelmente na mesma data da publicação da
nomeação de Jaguaribe no diário oficial. Esse
modelo vai permitir a contratação de novos funcionários
e, acrescentou Jaguaribe, permitir que o instituto realize uma "gestão
mais racional", valorizando "as áreas centrais
de marcas, patentes e transferência de tecnologia", além
de fazer a interação com os setores produtivo e de
pesquisa.
Nos próximos dias, será enviado ao Congresso Nacional
um projeto de lei propondo a criação de 450 vagas
para serem preenchidas em 2005 e 2006. Este compromisso já
havia sido firmado no fim de maio com o instituto, ainda sob a gestão
interina de Luiz Otávio Beaklini, que permaneceu no cargo
durante os 18 meses de indefinição do atual governo.
Foi sob a gestão de Beaklini que o INPI voltou a se reerguer
depois de ser sucateado no governo de Fernando Henrique Cardoso.
Neste ano, o instituto elevou seu orçamento para R$ 98 milhões
e está podendo levar adiante projetos de renovação,
como a implementação do sistema de consulta ao acervo
do Escritório Europeu de Patentes (Epoc). Além disso,
logo no início do
ano foi feito um concurso público com a aprovação
de 108 novos examinadores
de marcas e patentes. A bandeira mais recente de Beaklini era a
de não só elevar os salários dos técnicos
do instituto como criar um plano de cargos e salários.
Este é um desafio importante para a nova gestão,
já que para ser técnico do INPI é preciso ter
no mínimo mestrado e o salário não ultrapassa
R$ 2.100,00. Além do mais, o treinamento destas pessoas dura
cerca de seis meses e muitos aproveitam o conhecimento que só
pode ser obtido dentro do instituto para elevar seus salários
na iniciativa privada.
Apesar de nunca ter passado antes pelo INPI, Roberto Jaguaribe
tem longo currículo. É engenheiro e diplomata. No
Itamaraty exerceu vários cargos: foi diretor geral do Departamento
de Promoção Comercial, chefe da Divisão de
Propriedade Intelectual e Tecnologias Sensíveis, coordenador
técnico do Departamento de Administração, assessor
da Divisão de Imigração e coordenador do Grupo
Interministerial de Propriedade Intelectual para a Rodada Uruguai
de negociações comerciais multilaterais. Foi também
secretário de Assuntos Internacionais do Ministério
do Planejamento e Orçamento.
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