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Campinas (SP), 4 de
Agosto de 2004 - Universidade paulista assinará nove convênios
para licenciar 22 patentes, número recorde no País.
A Agência de Inovação da Unicamp (Universidade
Estadual de Campinas), denominada Inova) e que foi criada no segundo
semestre do ano passado, oficializa amanhã, em Campinas,
a assinatura de oito convênios de Transferência de Tecnologia
(TT) com empresas privadas. Os acordos prevêem a exploração
comercial da tecnologia por um período entre 10 e 15 anos
.
Com estes, a Inova alcança em seis meses a
marca de nove convênios "guarda-chuva" assinados,
o que permitirá o licenciamento de 22 patentes para o desenvolvimento
de produtos por empresas privadas. A dúvida inicial sobre
a eficácia do modelo de licenciamento construído pela
Unicamp desaparece definitivamente com os novos contratos.
Com estes números, o desempenho da Unicamp em licenciamentos
é recorde, o que ratifica a avaliação inicial
de que o projeto de criar um mecanismo institucional para ligar
universidade e mercado funcionou. A Inova já tem conversado
com outras universidades sobre o modelo adotado pela instituição.
Entras as universidades estão a USP (Universidade de São
Paulo) e as universidades federais de Minas Gerais, Pernambuco e
Rio Grande do Sul.
Uma possibilidade em estudo é o uso
da estrutura da Inova em Campinas para prestação de
serviço. A agência tem cerca de 30 pessoas, mas além
da área de gestão de propriedade intelectual, a Inova
tem ainda áreas de parcerias e parque tecnológico
e incubadora.
Trabalho árduo - Em
um semestre, a Inova viabilizou a transferência à mercado
de um número três vezes maior de patentes do que em
toda a história da Universidade. Foram sete até o
final de 2003, o que gera, segundo expectativa da Funcamp (fundação
responsável pela gestão destas patentes), cerca de
R$ 1 milhão em royalties em dez anos.
Com a nova carteira de licenciamentos, a perspectiva
é outra. Segundo Rosana Ceron di Giorgio, diretora de propriedade
intelectual da Inova, a expectativa é que a partir do quinto
ano, as receitas oriundas de royalties gerados a partir destes acordos
chegarão a R$ 14 milhões por ano.
Ao final de cinco anos, a Unicamp quer chegar
a uma carteira com 100 licenciamentos, o que elevaria a instituição
ao patamar de grandes universidades no mundo. Ainda neste ano, a
Inova acredita que possa fechar mais sete convênios.
O resultado alcançado pela Inova em
tão pouco tempo surpreende mais pelo ineditismo do modelo
do que propriamente os números. A proposta do reitor da Unicamp,
Carlos Henrique de Brito Cruz, em sistematizar um modelo de gestão
de patentes, redefine a forma como as universidades brasileiras
devem lidar com a propriedade intelectual que constrói diariamente.
Acordos
Talvez este seja a maior novidade em relação
aos resultados da Inova. O viés de mercado da agência,
uma característica, é o segundo fator que tem elevado
o número de acordos.
A negociação de uma patente
é complexa. O modelo jurídico adotado pela universidade
é o dos convênios "guarda-chuva", que passam
a receber a partir de então os aditivos. "É um
sistema mais simples. Para cada licenciamento, cria-se um novo aditivo",
explica. Nestes aditivos é que são definidos os requisitos
da parceria necessária ao desenvolvimento da patente num
produto de fato.
O contrato de licenciamento outro apêndice,
que é assinado ao mesmo tempo. As bases financeiras para
o licenciamento é assinado juntamente com o convênio
e os aditivos iniciais. "É um aspecto importante. É
muito mais fácil assinar o licenciamento nesta fase do que
após o produto desenvolvido", diz Rosana.
A remuneração básica
da Unicamp pela cessão da propriedade intelectual da invenção
deriva dos royalties. Os percentuais, afirma Rosana, variam de 2%
a 7% e recaem sobre o faturamento bruto e líquido. "Depende
de cada caso", afirma. Para todos os contratos estão
previstas auditorias para conferência das informações
financeiras relativas à comercialização do
produto.
A distribuição dos recursos
será feita da seguinte forma: um terço da receita
será paga ao pesquisador ou ao grupo de pesquisadores e dois
terços vão para a Unicamp. Os prazos para o desenvolvimento
dos produtos a partir da assinatura dos convênios dependeram
da área.
"O tempo varia de patente para patente.
Cada tecnologia tem a sua complexidade. Os fármacos são
os mais demorados. A Cristália, indústria que negociou
duas patentes para produção de anestésicos,
prevê um tempo de três anos para o desenvolvimento antes
de iniciar a produção", afirma Rosana. (Gazeta
Mercantil/Agnaldo Brito) |