Tecpar concede Selo de Inovação à plataforma que monitora disseminação da dengue, chikungunya e zika 09/10/2026 - 12:55
O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), por meio do seu Creative Hub, concedeu nesta sexta-feira (09), o Selo de Inovação à empresa EDL Brasil pela criação da Plataforma Digital Integrada de Inteligência Territorial para Vigilância de Arboviroses. A solução inovadora é voltada à modernização das ações de vigilância e controle de infecções virais transmitidas principalmente pela picada do mosquito Aedes aegypti, como dengue, chikungunya e zika.
A plataforma integra aplicativo móvel para as equipes de campo, portal web, dashboards (painel visual e interativo que reúne dados, métricas e principais indicadores de desempenho), georreferenciamento, gestão de instalações e manutenções, rotas, logística e informações epidemiológicas em um único ambiente. O aplicativo também funciona no modelo offline-first, permitindo o registro das atividades mesmo em locais com baixa conectividade.
Desenvolvida para atender órgãos públicos e empresas privadas, a tecnologia já está em validação em ambiente real junto a secretarias municipais de saúde e no campus do Tecpar, com mais de 1.500 pontos georreferenciados monitorados em todo o país. Só no campus CIC do Tecpar estão em funcionamento 7 pontos, com a previsão da inclusão de mais 23 até o início do verão, período mais crítico de reprodução do mosquito.
CONTROLE VETORIAL - A ideia surgiu a partir da identificação de uma dificuldade recorrente no controle vetorial, pois as informações coletadas em campo, a logística e vigilância epidemiológica muitas vezes estão fragmentadas, o que não permite uma compilação geral desses dados para um monitoramento real da disseminação dessas doenças.
Com essa dificuldade, a EDL Brasil buscou integrar as informações para permitir uma visão territorial mais completa e apoiar a tomada de decisão dos gestores públicos.
A plataforma está associada às Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), que são armadilhas inteligentes, estruturas feitas com um recipiente plástico com água e uma superfície impregnada com um larvicida em pó muito fino, para atrair os mosquitos Aedes. Ao entrar em contato com a tela, a fêmea do mosquito transporta o produto para outros criadouros, impedindo o desenvolvimento das larvas e interrompendo o ciclo de reprodução do vetor. Esse processo de autodisseminação amplia o alcance do controle vetorial, permitindo que o larvicida alcance criadouros que muitas vezes são de difícil identificação ou acesso.
Enquanto as EDLs atuam fisicamente no território, a plataforma permite acompanhar onde estão os dispositivos, organizar as ações das equipes, controlar manutenções e transformar os registros de campo em informação para gestão.
MELHORIAS À SAÚDE PÚBLICA - Para o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, a valorização de tecnologias que têm o potencial de promover melhorias no âmbito da saúde pública é uma das missões do instituto.
“Nosso Selo de Inovação vem para reconhecer iniciativas como essa, que impactam diretamente na saúde e no bem-estar da população. A possibilidade de aumentar a capacidade de planejamento, rastreabilidade e utilização eficiente dos recursos públicos para controlar a disseminação de doenças como a dengue, chikungunya e zika é um divisor de águas no setor de saúde e merece ser valorizado”, destaca Marafon.
O CEO da EDL Brasil, Luiz Carlos Roque Junior, acredita que receber o Selo de Inovação do Tecpar representa uma importante validação institucional.
“É o reconhecimento de uma instituição paranaense de ciência, tecnologia e inovação sobre o caráter inovador e a viabilidade da nossa solução. Mais do que um reconhecimento, entendemos o selo como um estímulo para continuar desenvolvendo a tecnologia e ampliar sua aplicação em outros municípios e territórios brasileiros. Nossa visão é contribuir para que o controle das arboviroses avance de uma atuação fragmentada para uma gestão territorial integrada e orientada por dados”, afirma o CEO.
NA PRÁTICA – Hoje os agentes epidemiológicos vão até as casas e instalam as armadilhas inteligentes. Nessas visitas eles levam um tablet, onde registram o endereço para o georreferenciamento e tiram fotos da instalação e do local. Após 30 dias, eles voltam para fazer a troca do larvicida e orientam o morador para a manutenção da armadilha.
Todas as informações de geolocalização de cada ponto instalado bem como o histórico das atividades são inseridas no aplicativo e entram na plataforma, o que permite uma gestão, com acompanhamento dos dados da cidade.
“Podemos saber qual manutenção está em atraso, qual está em dia e qual está na rota de visitação. Conectando essas atividades, cruzamos todas as informações coletadas com outros dados entomológicos, ou seja, de conhecimentos específicos do mosquito Aedes, e conseguimos trabalhar com mais qualidade na gestão de combate à arboviroses. Em suma, o aplicativo faz essa conexão do físico com o digital gerando dados para os gestores tomarem as melhores decisões. Conseguimos unir controle vetorial, território, operação e inteligência de dados em uma única plataforma”, explica Roque Júnior.
A intenção da EDL Brasil é transformar os dados coletados em inteligência para que gestores públicos possam antecipar riscos, direcionar recursos e tornar o enfrentamento das arboviroses cada vez mais eficiente.
SELO DE INOVAÇÃO – O Selo de Inovação é concedido pelo Creative Hub do Tecpar a produtos, processos e serviços que apresentam características inovadoras e potencial para gerar impactos positivos no mercado e na sociedade. O Selo reconhece soluções que utilizam conhecimento e tecnologia para aumentar a competitividade, promover ganhos de eficiência e contribuir para o desenvolvimento econômico e social. Saiba como obter o Selo de Inovação do Tecpar neste link: https://www.tecpar.br/Pagina/Selo-de-Inovacao.
Estiveram presentes na entrega do Selo de Inovação, o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, o diretor de Novos Negócios e Relações Institucionais do Tecpar, Celso Kloss, o o gerente do Creative Hub do Tecpar, Rogério Moreira de Oliveira, o diretor presidente do Instituto de Biologia Molecular Do Paraná (IBMP), Pedro Ribeiro Barbosa e representantes da EDL do Brasil.










